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Plié e Prosa

Turma de adulto dançando Erva Venenosa
Meus últimos meses não foram fáceis. Quando eu já estava me sentindo sem tempo, muitas coisas aconteceram, chegando sem avisar, tomando meu tempo, minha disposição e minha mente. Não consegui me dedicar como gostaria na preparação para nosso espetáculo de fim de ano, “Capítulo de hoje: Dança”. Me atrasei, faltei aulas e até ensaios, em muitos momentos estive presente mas totalmente sem energia, precisei sair em meio de ensaio, não estudei bem os vídeos, não fiquei revisando as coreografias no tempo livre (que tempo livre?)…
Pela primeira vez, cheguei a pensar que seria melhor não ter me comprometido a participar do espetáculo. Mas nas vezes que esse pensamento cruzou minha mente, eu automaticamente pensava em como as aulas e ensaios costumam ter o poder de me distrair. São os momentos que meus pensamentos se voltam para a dança e, por alguns instantes, esqueço dos problemas que ficaram do lado de fora da sala.
Eu realmente acreditei que não ia conseguir estar feliz no dia do espetáculo, mas como foi bom estar errada! Na semana que o atencedeu, algumas coisas foram aliviando e nos últimos dias parece que finalmente voltei a respirar. Na plateia, não pude ter uma das minhas maiores “fãs”, minha avó, mas pensei nela em cada minuto e dancei leve sabendo que estava em casa, bem.
A minhas companheiras do ballet adulto: estar com vocês nesses últimos meses foi ainda mais importante do que costuma ser. Saibam que cada momento, cada ajuda com a coreografia, cada sorriso, cada abraço que compartilhamos tirou um pouco do peso que senti nesse período. Obrigada a todas, de coração, por estarem comigo nesse desafio que é conciliar a vida adulta com a preparação para o espetáculo de fim de ano. Juntas e nos apoiando, como sempre, somos capazes de entregar lindos resultados.
Sob o olhar da professora Déborah
Déborah, a você minha gratidão é sempre infinita! O seu olhar cuidadoso para cada uma de nós, nos ensaios, no palco e na vida, faz toda a diferença. Ter você como professora é um privilégio!
Nanda, Dedé, Érica, Mari e toda a equipe envolvida na produção do BFD, participar de um espetáculo produzido por vocês é ter a certeza de que, aconteça o que acontecer, vai ser lindo e emocionante! Todo o amor e dedicação de vocês se reflete no resultado que vemos no palco.
No último dia 15, subi ao palco mais nervosa do que costumo ficar, mas dancei leve e feliz. Senti cada melodia, cada passo e, aos poucos, o nervosismo passou e deu espaço para a emoção que é estar no palco fazendo o que amo com pessoas incríveis, que compartilham esse sentimento comigo. Que sorte a minha poder viver esse momento, que sorte a nossa. 💜

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Se tem uma coisa que não suporto é faltar o ballet. Mesmo que seja só um dia, geralmente é o suficiente para passar uma semana inteira sem aula, e quando retorno depois da ausência sinto como se estivesse há um mês sem ir, toda travada ou mais dispersa. Se for dia de ensaio é ainda pior, pois além de me prejudicar sinto que estou atrapalhando os outros bailarinos que dançam comigo e as professoras que estão montando e ensaiando a coreografia.
Em aula, janeiro 2024
Como trabalho em home office, meu ritual em dias de aula ao parar de trabalhar é fazer o coque (que em alguns dias não colabora!), comer, me vestir e sair. Tudo com o tempo bem contado para chegar na aula uns minutinhos antes de começar. Sei que comparado com outras rotinas isso é muita moleza, mas é corrido e muitas vezes depois de um dia de desgaste mental, possivelmente com dor de cabeça, tudo que quero é me jogar no sofá e assistir algo leve, ou só deitar e fechar os olhos.
Nesses dias mais difíceis, tento não pensar muito e só ir no embalo da rotina para não deixar de fazer aula. Nos meus mais de 4 anos de ballet, já aconteceu de ter feito aula mal, de estar sem concentração, de não querer interagir com ninguém, de sentir que meu corpo não quer responder e de não conseguir decorar as sequências. O que nunca aconteceu foi eu terminar a aula e pensar “era melhor ter ficado em casa”. Nunca me arrependi de ter ido. Mas confesso que ocasionalmente, por diversos fatores, a fadiga vai além do cansaço do dia a dia. Às vezes só de pensar em me arrumar para sair falta disposição.
Um dia desses me peguei pensando até que ponto devemos “fazer o esforço”. Em que momento temos que ouvir nosso corpo ou mente dizendo “hoje não”? Quando é a hora de dizer “dessa vez vou me dar folga”? Para mim é um pouco difícil entender que esse momento existe. Que você só está ouvindo seu corpo e respeitando seu limite. Que faltar aula um dia porque o cansaço venceu não é o fim do mundo, é só um entendimento de que qualquer pessoa tem seus dias ruins e isso não te faz gostar menos do ballet ou ser uma aluna pior.
Cansaço "do bom", pós aula
Na semana passada, pela primeira vez, faltei uma aula “por nada”. A aula tinha sido antecipada porque teríamos ensaio em seguida e eu teria que correr um pouco mais para dar tempo de chegar no horário. Eu já vinha há uns dias me sentindo sem energia, mas um lado meu pensava: “Vou faltar só por causa dessa preguiça? Só pode ser besteira minha”. Mesmo assim, dessa vez tomei a decisão de não ir para a aula e descansar, me organizar com calma e usar o que me restava de disposição para ir ao ensaio. Para minha surpresa, ao fim de tudo senti que tomei a decisão certa, aquele, para mim, não era um dia para aula + ensaio.
Em geral, o ballet é meu descanso mental, um refúgio que me deixa relaxada e feliz, e por isso normalmente não quero abrir mão desse momento por nada. Eu nunca fui uma pessoa com energia infinita, muitas vezes faço as coisas com preguiça mesmo porque sei que, quase sempre, o difícil é só sair de casa. O que estou tentando entender e aprender é como diferenciar entre o dia que só preciso de um empurrãozinho e o dia que preciso me dar uma folga. Isso vale tanto para o ballet como para outras coisas da vida. Certamente todo mundo de vez em quando precisa de um descanso, seja ele físico ou mental, todo mundo tem seu limite.
E você, passa por algo parecido, ou sempre tem disposição de sobra? Sente remorso quando decide faltar aula ou não pode ir? Sabe perceber e respeitar seu limite físico e mental? Me conta nos comentários!

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Às vezes me pego lamentando por não ter entrado no ballet mais cedo. Imagina se eu tivesse começado a dançar com 15 anos, quando tinha mais flexibilidade. Ou com 20 anos, quando tinha mais energia. Quanto eu poderia ter evoluído nesse tempo, quanto poderia ter vivenciado? Entrando no mundo do ballet após os 30 anos, sinto que estou “atrasada”. Não entendo da história do ballet, não acompanhei a evolução das sapatilhas de ponta da minha geração, não conheço o enredo e músicas de muitos dos grandes ballets de repertório.
Fico aflita porque queria saber mais e o tempo que tive de experiência ainda não me permitiram absorver o conhecimento que gostaria, e o tempo e disposição que tenho no dia a dia não me permitem “correr atrás do prejuízo” mais rapidamente. Para completar, vivencio algo parecido na minha vida profissional. Fiz uma transição de carreira para a programação e estou ainda começando na área, mesmo já tendo mais de 10 anos de formada.
Um dia desses me deparei com esse post no Instagram:
“Você não começou o ballet tarde. Você apenas o encontrou na hora certa, quando mais precisava dele.”
Parei para pensar que o momento que engrenei no ballet foi em fevereiro de 2020, menos de 2 meses antes de estourar a pandemia de COVID-19. No meio de março as aulas foram suspensas devido ao primeiro lockdown, em abril já estávamos fazendo aulas online e assim continuamos até agosto, quando pudemos retornar às salas de aula.
4 meses de ballet online ainda sendo tão verde na dança não foi uma coisa trivial para mim. Sem barra (usávamos uma cadeira), sem linóleo, sem espelhos e, principalmente, sem a colega da frente para copiar as sequências! Talvez em outra ocasião logo tivesse desistido, mas eu precisava tanto daquilo que continuei. As terças e quintas a noite eram o período que eu entrava numa bolha e esquecia de todos os problemas, meus e do mundo, que foram tão pesados naquelas circunstâncias.
Retorno às aulas presenciais em 2020
Pensando melhor, será que eu teria me envolvido tanto com o ballet se tivesse iniciado em outra situação? Será que teria persistido? Não há como saber. O que sei é que o ballet entrou na minha vida em um momento que de fato precisei e sou mais feliz por isso. Talvez eu nunca deixe de ter a sensação de que estou atrasada, mas procuro olhar para trás e ver o caminho que percorri, o quanto evoluí nos últimos anos e, acima de tudo, ser grata por ter me encontrado nesse mundo.
Em que momento da vida o ballet te encontrou? Me conta nos comentários!

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Engenheira de formação, programadora de profissão, bailarina de coração. Sempre gostei de escrever. Encontrei no ballet não apenas um retiro para minha alma, mas também uma motivação para escrever e dividir minhas vivências, conquistas e dificuldades na dança.

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